A culpa é do Douglas
Dia #1
Durante meu horário de almoço, vou me forçar a escrever uma crônica, e a ideia aqui é tentar produzir (sim, esta palavra mesmo) uma crônica por dia. Vou conseguir? Acho que não, mas, como disse, vou tentar.
Comecei a pensar nisso porque, há um tempo, o Douglas Zilio me pediu indicações de livros falando do gênero e sobre o gênero. Eu, então, como sempre, posterguei o máximo que pude, e ele ficou cobrando de seis em seis meses, mas, enfim, eu fiz. Não queria indicar o que todo mundo indica: Clarice, Rubem Braga, Nelson Rodrigues, João do Rio e muitos outros, o senso comum da crônica.
Então, vou compartilhar uma espécie de nomes e livros e comentar um pouquinho. Assim, vocês terão mais uma lista inútil para guardar e, claro, ninguém seguir.
O primeiro indicado é Jorge de Sá, com seu manualzinho chamado Crônica, livrinho da série “Princípios”, da Editora Ática. Olha, acho difícil você encontrar o PDF dando sopa nos porões da internet; digo isso porque eu mesmo já procurei. Então fui lá na Estante Virtual e paguei cinco reais no exemplar e quase vinte no frete. É a vida, eu sei.
Há duas antologias, três, na verdade, que são interessantes. Falo de As Cem Melhores Crônicas do Século, de Joaquim Ferreira dos Santos; Os Sabiás da Crônica, organizado por Augusto Massi; e Um Século em Cem Crônicas: Cronistas que Fizeram História no Globo, organizado por Maria Amélia Mello e Cláudia Mesquita. A primeira antologia é meio clássicona e todo mundo já deve conhecer. Indico por ser bem ampla, e só.
Agora, seguindo em uma esteira não muito canônica, mas essencial — bom, pelo menos para o meu gosto —, diria para ir às crônicas da Hilda Hilst. Essa mulher era meio maluca mesmo e escrevia muito bem. O Paulo Mendes Campos é outro que todo mundo diz que lê, mas sabemos que é mentira. Outro sujeito que sempre está soltando uma crônica por aí é o Carlos Nejar, e você já encontra reunidas em um livro. Preciso, claro, indicar dois conterrâneos. Falo de uma autora que eu editei lá na Patuá, a Lucilene Machado, e, claro, da Raquel Naveira. Essas duas, cada uma a seu modo, dão elasticidade ao gênero a cada vez que escrevem.
Agora, leia também os portugueses. Os tugas são sinistros no gênero. Algumas das crônicas mais bonitas que já li saiu da pena de António Lobo Antunes, que dizia se tratar de um gênero menor e que ele só escrevia por conta do dinheiro. Ainda bem que alguém pagava.
Por último, indicaria o livro 12 Ensaios sobre o Ensaio, organizado por Paulo Roberto Pires. E você pode falar que ensaio não é crônica; vou te responder que não é mesmo, mas e daí? Eu diria que a crônica é a filha que o ensaio teve com o jornalismo, então é bom saber o que ele pensa do seu rebento, não acha?
Por último, mas não menos importante, indico Saudades dos Cigarros que Nunca Fumarei, de Gustavo Nogy. Esse título à la Neymar após alguma polêmica é só fumaça, já que o livro é uma pérola do gênero e, infelizmente, pouco lido.
Bom, feito o dia 1.
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Um abraço e obrigado pela leitura.


